Caso Isabella – Limites?

15 05 2008

Caros,

Vou abordar aqui sobre um tema polêmico que surgiu com o caso do título.
Como sei que vou me prolongar no assunto, vou dividir em tópicos para facilitar a leitura daqueles com infinita paciência. Os sem paciência… pulem pra conclusão… tentei resumir da melhor forma possível.

Queria só adiantar que o que escrevo aqui são opiniões pessoais, e longe de mim querer que todos concordem comigo, mas que ao menos reflitam sobre o assunto. Relembrando, esta é uma crítica e uma reflexão sobre a cobertura da imprensa no caso, não é um artigo de pretensões jornalísticas, nem uma matéria sobre o caso em si.

Isabella Nardoni

Vou levantar algumas questões que talvez contrariem e incomodem algumas pessoas… não peço que concordem, tampouco fiquem calados. Agradeço quaisquer opiniões que sejam eventualmente colocadas, contanto que não faltem com o respeito.

O acontecimento que deu origem a reflexão e a este texto foi o caso do assassinato da menina Isabella Nardoni, extensivamente coberto ao longo do ultimo mês pela imprensa e veículos da mídia.

A polêmica gira em torno, além da brutalidade do crime, na legitimidade das matérias que circulam o caso, na motivação da cobertura de extensão fora do comum, e na reação da população diante tal cobertura.

Papel da Imprensa

Antes de mais nada, precisamos nos questionar sobre o papel da imprensa, ou da mídia, na sociedade.
A imprensa é o conjunto de veículos de comunicação que exercem o jornalismo e outras funções de comunicação informativa.
Jornalismo, por sua vez, é, citando o Wikipedia:
“Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.”
Dado o poder da imprensa, que com poucas linhas pode transformar impérios em ruínas, um rígido código de ética foi criado para a divulgação das informações.
A minha idéia com esta matéria é justamente questionar se a cobertura da imprensa no caso Isabella fere ou não este código.

Caso Isabella Nardoni

Vou cobrir vários pontos sobre o caso. Enquanto creio que a maioria já conhece vários fatos sobre o crime, para quem não está acompanhando passo a passo ou para aqueles que querem relembrar tudo o que aconteceu, vou deixar alguns links:
O resumo do crime
Cobertura do caso pela Folha de São Paulo
Cobertura do caso no portal Globo G1

Reação do povo: revolta

Repetidas vezes ouvi em matérias dos mais diversos veículos da mídia, notadamente na rede Globo de televisão, sobre a brutalidade do crime, e como consequência, a indignação do povo a ponto de querer invadir o apartamento onde estavam pai e madrasta de Isabella para linchá-los.

Eu me pergunto se realmente foi a brutalidade do crime que provocou a indignação do povo, ou se foi a extensão da cobertura de imprensa, e o alimento diário que os meios de comunicação forneceram ao ódio do povo faminto pelo por justiça? Algumas cenas remontam ao clichê da turba raivosa armada de foices e facões.

Por mais que isso incomode, casos hediondos como estes acontecem com certa frequência. Mesmo sem pensar muito, lembro de alguns… como:
Caso João Hélio
Caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé
Caso da menor de idade presa com 20 homens no Pará

Em nenhum desses, a repercussão chegou a níveis tão extremos. E por mais que se acredite que o motivo seja a indignação com a brutalidade do, não deixem de se questionar se os fatos teriam tomado o mesmo rumo caso a imprensa tivesse feito uma cobertura mais pontual e objetiva do caso.

Hediondo? O que realmente aconteceu?

Ainda sobre a brutalidade do crime, tão alardeada na mídia e repetida como um mantra quando é questionado a reação do povo, vou incomodar algumas pessoas com o que vou dizer agora.

Sim, o crime é hediondo. Mas já pararam pra pensar no que pode ter acontecido? Permitam-me especular.

Veja que estou assumindo várias coisas que não sei se são reais…. assuma apenas como uma possível versão.

A madrasta da menina deve ter ciume da relação dela com o pai.
A menina também não devia gostar muito da madrasta.
Ambas possibilidades são relativamente comuns e compreensíveis.
Na noite do crime, algo aconteceu de errado. Uma briga mais feia, uma troca de acusações mais grave.
A madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, se excedeu. Ou ela ou o pai.
Perdeu a paciência e chegou a ponto de esganar, enforcar a menina para que ela parasse de falar, gritar, ou mesmo para punir por algo que disse ou fez.
Já vimos esse tipo de tratamento repetidas vezes, como em casos de enfermeira que cuidam de idosos ou babás de crianças. Casos que, infelizmente, são mais comuns que podemos imaginar.
Outra possibilidade ainda seria da menina ter testemunhado algo que não deveria… mas o que seria?
Confrontados com o fato de terem passados dos limites, uma vez que a menina desmaiou, o casal entrou em desespero. Talvez acreditando que a menina já estivesse morta, ou ainda prevendo os problemas que teriam após apurados as evidências da violência doméstica.
Em estado de confusão e desespero (o que obviamente não justifica seus atos), o casal decidiu inventar uma história de que um assaltante teria cometido o crime, ocultando assim o crime por eles cometidos, atirando a menina desacordada pela janela ao invés de pedir socorro e atendimento.
Uma decisão extremamente infeliz.

Não é uma versão definitiva, mas diria que plausível. E com o crime visto por esta perspectíva, será possível racionalizar o crime como uma série de péssimas decisões?
Eu vejo que, em nenhum momento, a imprensa tentou cobrir o caso nessa perspectiva.
A descrição do crime, em simulações e ditados de fatos pontuais, jamais tentou racionalizar sobre o que aconteceu.
O tratamento do outro lado foi bem diferente… fizeram todas as racionalizações possíveis do lado da menina, da mãe da menina, da reação do povo sobre o crime, entre outros.

Os criminosos são seres humanos

Uma das consequências imediatas do tratamento puramente científico do crime é a classificação dos criminosos como pessoas frias, calculistas, desprovidas de alma, que não tinham absolutamente nenhum amor pela criança, e nenhum arrependimento. E visto pelo prisma da imprensa, isso anula completamente uma vida prévia, uma história de vida, e talvez até o fato dos criminosos serem pessoas um tanto comuns.

É bom para o povo saber que, não é preciso ser nenhum tipo de monstro sobrenatural para cometer um crime desse tipo. O que a imprensa deveria passar é que pessoas, seres humanos, como o casal criminoso não só existem por aí, como também são mais comuns que parecem.
E pessoas com tendências a cometer crimes tais como o do caso Isabella, talvez casais que estejam em situação parecida, com uma madrasta com ciumes de uma filha de um primeiro casamento, tomem cuidado para não seguir um rumo parecido.

Vejam que, analisando outros casos hediondos, por exemplo, o caso de Liana e Felipe, ou ainda da menor que ficou presa em cela masculina… a repercussão foi muito menor, e a crueldade tão grande quanto ou ainda maior que o caso de Isabella, na minha humilde opinião.

É triste ver as fotos de Isabella, e o crime é trágico, mas de certa forma me conforta saber que ela estava desacordada quando foi lançada pela janela de seu quarto.

Agora em perspectiva, você imagine o caso de Liana e Felipe, onde Liana e Felipe foram torturados e mortos, e Liana estuprada por horas e horas a fio.
Imagine o caso da menor que ficou presa por quase um mês junto com 20 homens, numa situação em que era forçada a manter relações em troca de comida.

Claro que uma criança pequena assassinada, sendo um dos assassinos o próprio pai, é brutal e hediondo, mas quero colocar as coisas em perspectiva.

Provas e não provas

Todas as provas e fatos apontam para a culpa do pai e madrasta de Isabella no crime hoje. Mas vamos recapitular os acontecimentos do começo, em foco exatamente nestas provas e fatos.
Se vocês que acompanharam o caso de perto bem se lembram, logo no começo do caso tivemos um bombardeamento de delegados, especialistas e comentaristas culpando os mesmos, como principais suspeitos do caso.

Em determinado ponto, a cobertura chegou a um tal nível que detalhes sobre a investigação eram relatados ponto a ponto. Uma bermuda suja com vômito da menina, fralda suja com sangue da menina, sangue da menina encontrado no carro do casal, sangue respingado no apartamento, sujeira da tela de proteção na camiseta do pai… tudo isso foi divulgado, reportado e veiculado a exaustão pela imprensa.

Não é exagero. Era possível ver a essas informações repetidas vezes durante 3 ou mais dias, que é muito acima do normal para qualquer tipo de crime, ainda mais se tratando de informação que, como veríamos dias depois, não confirmada e não oficial.

A conclusão oficial, depois do relatório da perícia criminal chegar, é que grande parte destas informações eram inconclusivas. O vômito na bermuda poderia não ser da menina e seria antiga, o sangue no carro não deu pra saber se era da menina, o da fralda também não.

O problema com isso não é só a aparente tentativa de fabricação de fatos e dados de conteúdo encriminador. O problema é que a defesa do casal pode até usar isso, e provavelmente vai, como argumentos para demonstrar que o julgamento não foi justo, e que a imprensa pode estar manipulando o caso e a opinião pública em favor da acusação.

O simples fato da imprensa ter divulgado vários dados que não deveriam já deve produzir argumentos para prolongar o julgamento, talvez o pedido de vários recursos em tribunal, e ainda a “desculpa” dos advogados de defesa do casal estarem tendo um tratamento injusto e tendencioso por parte de juízes.

A polêmica do julgamento prévio por parte da imprensa acaba somente prejudicando a acusação e dando força a defesa do casal.

Julgamento prévio

A defesa do casal acusa, a imprensa e críticos da mídia contestam. Particularmente li algumas defesas bem desesperadas na revista Veja, diga-se de passagem. Defesas estas que até tinham algum conteúdo, mas falhavam e tentavam desesperadamente se defender usando casos em que a mídia teve papel fundamental para que justiça fosse feita, na esperança que dados históricos pudessem justificar os possíveis impropérios cometidos.
Houve julgamento prévio pela imprensa? A imprensa se defende dizendo que só divulgou fatos e nada mais.
Eu pessoalmente acredito que existe um pouco de verdade em cada argumento. E uma parte dessa verdade é que sim, a imprensa passou dos limites, mesmo que não tenha feito julgamento prévio.

Existe uma área cinzenta no que diz respeito a ética jornalística, onde é possível relatar somente fatos mas ainda assim ser tendenciosa, relatando apenas um lado da história, ou ainda manipulando a informação de forma a não produzir dados falsos, mas ainda assim usar dados reais para produzir um resultado desejado.
É um velho conhecido no jornalismo político.

Voltando ao caso, desde o começo lembro-me bem que delegados, advogados de acusação, especialistas, e outras pessoas eram consultadas com o intuito óbvio de reforçar a suspeita sobre o casal.
Sempre que um advogado de defesa, uma declaração do casal, uma declaração do avô de Isabella que defende a inocência do filho, ou declaração de alguém da família ou alguém que defendesse o casal fosse colocado, existia uma resposta imediata.
Normalmente contextando a probabilidade do que acabara de ser dito.
Por exemplo, quando o advogado de defesa dizia sobre a hipótese de um assaltante ter estado dentro do apartamento, e logo em seguida a matéria demonstrava simulações, entrevistas com vizinhos e porteiros, e mais uma grande quantidade de recursos e informações para contextar a hipótese.

Não sei dizer se houve um julgamento prévio, mas é bem razoável dizer que a imprensa deu pouco espaço a defesa, e em vários momentos fez papel de investigador e advogado de acusação no caso. Papéis este sque não cabe a mesma.

Impossibilidade de cumprir pena

Ainda dentro da acusação de julgamento prévio, estão problemas mais graves. Considerando o casal comprovadamente culpado perante um juri (o que eu pessoalmente creio que vá acontecer), o pior que essa imprensa vai produzir é a impossibilidade de recuperação do casal.
Pois apesar dos pesares, cito a função da prisão: “[…] a função social da pena privativa de liberdade é que, durante o seu cumprimento, o(a) interno(a) possa ser readaptado à sociedade, passando por uma reforma íntima de modo que possa evoluir como pessoa e retorne ao convívio social melhor do que era antes do cometimento do crime”.
O que, claro, não passa de fantasia no Brasil – visto o estado das prisões e das leis que a cercam. Mas ainda assim não deixa de ser direito do criminoso.

Acho seguro dizer que, após todo o escândalo, polêmica, sensacionalismo ou como queira chamar a exaustiva cobertura do caso, fica impossibilitado não só uma recuperação, como também o convívio dos criminosos em prisões comuns.

Como alguns já alegaram, independente do casal ser culpado em tribunal ou não, a mídia já julgou e condenou-os perante a sociedade. Se provados inocente, coisa que acredito que não vá acontecer, já estão condenados a linchamento em praça pública.
Se provados culpados, sem os devidos cuidados, é provável que vão acabar linchados dentro da cadeia mesmo.
E visto a situação das prisões deste país, não é disparate dizer que a mídia condenou o casal a morte.

Eu pessoalmente não sinto a menor simpatia, e acredito que a pena de morte poderia muito bem ser aplicada também a casos como o de Liana e Felipe, o caso do João Hélio, e a(os) responsável(is) pela prisão da menor de idade na carceragem masculina. Sim, estou falando da juíza que foi absolvida.

Por mim podiam pegar também todos esse políticos corruptos e meter uma bala no meio da testa de cada um. Era um monte de safado a menos no mundo, e um motivo a mais para políticos tomarem vergonha na cara. Tenho mais repulsa e acho muito mais justo matar e jogar alguns desses na cadeia que qualquer outro tipo de criminoso, mesmo os que cometem crimes hediondos. Teria mais prazer em ver um Renan Calheiros na cadeia que os pais de Isabella, sem querer faltar com o respeito.

Mas uma coisa é o que eu gostaria que acontecesse, outra completamente diferente é o que as leis dizem que deve ser feito.

Acima da lei

Onde quero chegar com tudo isso? Quero questionar o poder da imprensa, da mídia e dos meios de comunicação. Uma reflexão pessoal que todos deveriam fazer.
O caso Isabella é trágico, triste, merece nossa atenção, e merece uma conclusão justa.
Mas ele não é único, e não vai ser o ultimo que a sociedade brasileira vai testemunhar.
E as pessoas precisam se questionar sobre a forma como o caso foi tratado, o que aconteceu de certo e errado, e se a informação foi realmente tratada de forma imparcial.

Estaria a imprensa acima da lei?

Pois se hoje foi um casal realmente culpado, e que deve pagar na justiça (e além dela) pelo que fez, o que será se amanhã o mesmo tratamento for dado para pessoas que provarem ser inocentes?
E como a imprensa, com esse tipo de poder, poderia ser manipulada para as causas erradas?

O quanto cada um de vocês deve se deixar levar pelo que a imprensa divulga? E se quem tivesse cometido o crime fosse você, acharia o tratamento justo?

Ao mesmo tempo que permitem um tempo enorme pra Ronaldo justificar, chorar e se arrepender pelo caso com as prostitutas travestis que tentaram estorqui-lo, será que o casal também não deveria ter um mínimo de espaço para comentar sobre tudo isso? O que, pelo que pude ver, apenas programas de entrevistas concederam… acredito que Ana Maria Braga abriu algum espaço.

Questionamentos

É justo ir a porta da casa do casal acusado xingá-los, tentar linchá-los, e fazer todo o tipo de manifestação antes de um julgamento?

Enquanto por aí rondam, impunes e sem quaisquer tipos de protestos, políticos mau-caráter que prejudicam o desenvolvimento de um país predominantemente analfabeto, com um sistema de saúde pública precária, sem contar outras mazelas provocadas diretamente por uma péssima administração, corrupção impune, e uma ignorância total por parte do povo?

Outro caso, como de Isabella, teria tido a mesma atenção se a imprensa não tivesse dado tal cobertura? E não seria toda essa cobertura feita apenas porque é o que vende? Sensacionalismo em cima do assassinato trágico de uma menina apenas para ganhar ibope, atenção e consequentemente dinheiro do público? O que separa programas como Ratinho, Aqui Agora e outros sensacionalistas de jornais considerados “sérios” como o Jornal da Globo e Jornal Nacional?

Este exagero da mídia com todos os envolvidos, incluindo a mãe da menina que teve show dedicado a ela, com figuras famosas recebendo-a, dando condolências, e tudo mais… qual o resultado disso? É saudável? O que isso representa pra sociedade? Os artistas fazem isso por auto-promoção? Será tão absurdo pensar que talvez tenham pessoas lucrando com a história toda, por mais desprezível que isso soe?

Objetividade

Não quero fazer pesos e medidas aqui, mas preferia mil vezes que o caso Isabella tivesse tido uma cobertura mais séria e objetiva, e que todo o resto do espaço na mídia tivesse sido dedicado a fatos onde a opinião pública pode mudar o rumo e influenciar em melhores resultados… como aumento dos salários já exorbitantes de políticos, criação de mais e mais cargos de confiança em todos os níveis do poder, e outros do tipo.

Feliz seria eu no dia em que o povo decidisse ir linchar políticos que apoiassem idéias desse tipo.

Infelizmente, o espaço no noticiário é disputado… e sempre que existe um excesso de cobertura sobre um determinado assunto, ao mesmo tempo alguma coisa está deixando de ser reportada.

Não tenham dúvidas, não quero nada mais nada menos que justiça no caso de Isabella, mas questiono o excesso da cobertura a ponto de prejudicar o caso. O casal entrou, saiu e depois voltou na cadeia. As decisões do juíz não levam em conta nem casos semelhantes nem o que a lei diz, mas sim a opinião pública.

O casal está na cadeia para apaziguar o monstro que a imprensa criou com todo o sensacionalismo que cercou o caso. O que, apesar de acabar sendo usado em favor da justiça, infelizmente me faz crer menos na seriedade dos tribunais brasileiros.

Porque não é possível criar esse tipo de polêmica para todo crime que acontece no Brasil, mesmo que tenha a mesma gravidade. Então os tribunais acabam levando mais a sério casos que a imprensa divulga.

A população acredita estar num país mais justo quando um caso desse é tratado dessa forma, com prováveis acusados sendo mantidos nas prisões com motivos do tipo “para resgatar a imagem da justiça” ou “para atender o clamor público”.

Mas ao mesmo tempo, tem criminoso saindo da cadeia nos feriados, pra cometer mais crimes. Tem criminoso pagando mensalidade pra dar umas voltinhas por aí, ou para equipar sua cela. Tem criminoso que estupra e mata, mas sai livre depois de poucos anos de prisão só porque não completou 18 anos. E sai só pra cometer mais crimes, sem nenhum resquício de recuperação.

Pessoalmente, acho ótimo que o casal criminoso vá ser condenado e preso. Mas isso não muda a realidade da justiça brasileira. Que é a justiça pra poucos, muito poucos.

Conclusão

Amanhã, quando algum crime for cometido contra mim, será que eu vou ter dúvidas? Procuro a delegacia mais próxima, ou a rede de TV local? Falo com um advogado, ou com um jornalista? Deposito minhas esperanças que justiça será feita em julgamento, ou em uma série de reportagens? Devo acreditar que os criminosos serão presos somente se convencer a um juiz que existe um clamor público para detê-los?

E como vítima, devo explorar ou permitir que explorem minha própria imagem para benefício próprio? Vou usar um órgão de imprensa para finalmente encontrar com meu ídolo, apesar da tragédia? Vou mostrar apenas meu lado bom, para que ninguém duvide da minha condição de vítima?

Por mais que eu acredite que o casal seja culpado, e que a imprensa tenha influenciado e contribuído amplamente para que a justiça seja feita, várias coisas que aconteceram relacionadas ao caso e ao tratamento que a imprensa deu a este me incomodam, e me incomodam muito.

Tem um pouco a ver com o sensacionalismo, o exagero na cobertura, a resposta do povo, o tratamento dado a aspectos técnicos e provas inconclusivas, a tomada de responsabilidades, os papéis trocados entre imprensa, perícia, advogados, juízes e delegados, e outras coisas mais subjetivas em relação a individualidade e a opinião pessoal e pública neste país.

Discordem ou concordem comigo, mas acima de tudo, reflitam. E peçam aos próximos para também refletirem. Porque não importa o que um blogueiro insignificante como eu vai dizer aqui ou ali, importa somente se cada um vai parar para pensar sobre este assunto…


Ações

Informação

9 responses

23 05 2008
Michele Paiva

Eu li minuciosamente o que você escreveu. é a mesma opinião que eu tenho apesar de achar que o casal é culpado. Eu tinha chegado da casa do meu namorado e minha mãe me deu a noticia… na mesma hora eu disse: putz mãe, foi a madrasta! Sei lá, foi um sentimento estranho que me invadiu… tenho uma filha parecidissima fisicamente com a Isabela, até cortei o cabelo dela para não parecer tanto. Enfim, amei o que você escreveu e serei frequentadora assídua do seu blog. Não vejo a hora de ter certeza de quem fez o que fez com a bela Isabela.

24 05 2008
xsportseeker

Olá Michele, que bom que tem opinião parecida!
Quer dizer, praticamente igual, porque eu também acredito que o casal seja culpado, especialmente a madrasta…
Agora o sensacionalismo já está morrendo, e pelo menos um lado bom teve nisso tudo: A justiça não demorou pra julgar o caso.
Só espero que essa rapidez não se limite apenas pro caso da Isabella…

20 07 2008
joao roberto bresolim mousquer

Conforme lí:
“O médico-legista George Sanguinetti e a perita criminal aposentada Delma Gama, contratados pela defesa para elaborar pareceres sobre os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML), serão testemunhas de defesa do casal, mas o depoimento deles será colhido nas cidades onde moram através de carta precatória.

É um absurdo o medico legista e a perita que desafiam a tudo e a todos , depor em sua cidade , longe do Juiz e do promotor que esta conduzindo o caso . Será que estão com medo se serem presos pela tamanha “palhaçada” que dizeram /fizeram .
Devia dser proibido depor por precatória , poisno meu endenter não são trestemunhas , mas sim parte integrante da falsa pericia que querem que todos engolem

27 09 2008
Eliangela Alves da Cunhs

O que aconteceu com a menina isabel foi aterrorizante em todo eese tempo que sou vivida nesse mundo de meu Deus nunca vi ou ouvi uma barbarida como essa. As pesoas que cometeram esse creme jamas terá o perdão de Deus. O mundo todo ficou revoltado com essa história louvo a Deus, pois tnho 18 anos e nada parecido aconteceu comigo ou minha família e devemos ter muito cuidado com nossos filhos, pois o mundo que estamos vivendo pde se aconteser coisa que nem imaginamos.

27 10 2008
marina

para mim isto foi um acidente, a menina acordou se viu só e não tendo noçao de perigo quis sair pela janela e CAIU.

26 01 2009
maria

Não acredito no que foi publicado. A mídia não informa, deforma. É lamentável que pessoas de nível superior ajam como pessoas sem nenhum conhecimento, que não tenham capacidade para buscar a verdade. No caso, à esta altura já estão sendo desmentidas inúmeras mentiras, mas a mídia corrupta não dá visibilidade ao desmentido. Nem se ouve falar mais em toalha e mesmo na fralda. O “intelectual” brasileiro é pretencioso, superficial, ouve o galo cantar em algum lugar e sai por aí com autoridade falando e inventado IMPUNEMENTE. No caso do luminol, conhecido há muitas décadas, mas que tem de ser utilizado com cautela, com lógica se apresenta como a última das tecnologias. O profissional de comunicação é superficial, “fofoqueiro”, se interessa pelo bombástico. Os profissionais de direito sabem que o luminol reage na presença de sangue, mas não se interessam pelo processo, decoram isto e está acabado. Se procurarmos saber um pouquinho na internet descobriremos que ele reage na presença de ferro, e temos ferro na hemoglobina. Mas não é só o ferro pode estar presente na urina e nas fezes. O saber decorado, superficial, nojento, pretencioso, está fazendo muito mal a nossa sociedade. Se lermos no WIkipedia, a enciclopédia livre nas versões em inglês ou francês, já que a versão em português explica quase nada, veremos é impossível o luminol não reagir em uma fralda. Scienza senza coscenza é ruina dell´uomo já dizia um italiano, informação sem honestidade, inteligência é deformação, a imprensa alimenta um monstro disforme, de forma monstruosa, construindo monstros, quando na verdade monstros são aqueles que monstruosamente acusamàs custas da deformação. E moral da história, na realidade outros tipos de exame não comprovaram sangue da menina, a não ser no apartamento, mas no imaginário popular esse sangue existe em quantidade como um lobisomem. Estou indignado com a mentira, escamoteação e hilaçãp.

7 02 2013
isabela

na sua opiniao qual a origem dos excessos cometidos pela imprensa na cobertura de fatos sensacionalistas?

7 02 2013
isabela

e tambem quero saber se, na sua opiniao, a imprensa pode cometer erros nesse tipo de comportamento?
gostaria muito que vc respondesse minha pergunta.

7 02 2013
isabela

aponte um dos resultados desse tipo de cobertura da midia.

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